Basílio

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13 de novembro de 2016

Biografia: Tomás Antônio Gonzaga

Conhecido pelo nome arcádico Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga foi jurista, além de poeta árcade. Nasceu em Portugal, na cidade de Porto e foi filho da portuguesa Tomásia Isabel Clarque e do nordestino João Bernardo Gonzaga.
Passou parte da infância no Recife e na Bahia, onde o pai servia na magistratura, mas ainda na adolescência retornou a Portugal para completar seu curso de direito e o concluiu aos 24 anos. Depois de se formar, exerceu alguns cargos de jurídicos e,  em 1778, foi nomeado juiz-de-fora na cidade de Beja(com exercício até 1781). No ano seguinte, foi indicado para ocupar o cargo de ouvidor em Vila Rica(atual Ouro Preto).
Nessa época, conheceu Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, retratada como Marília de Dirceu nos poemas de Tomás. Uma adolescente de 17 anos que se relacionaria com um homem de 40(Dirceu). O poeta pediu a moça em casamento, mas, por sua condição financeira, sofria oposição da família de Maria.
Em 1789, Tomás Antônio Gonzaga foi acusado de participação na Inconfidência Mineira e acabou por ser enviado para a Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro e dali partiu para Moçambique, onde se casou com Juliana de Sousa Mascarenhas, filha de um rico comerciante de escravos, e teve um casal de filhos.
O poeta escreveu poesias líricas que refletem sua trajetória . Antes da prisão, apresentam a ventura do amor e a satisfação com o momento presente(algo típico do arcadismo, tendo um termo específico- Carpe Diem). Depois, trazem o infortúnio e a injustiça.
Tomás também ocupou a cadeira 37 da ABL(Academia Brasileira de Letras). Morreu no mês de fevereiro de 1810 em dia desconhecido.
Glossário:
Ouvidor: que ou aquele que ouve; ouvinte.
      que ou aquele que se nomeava esp. para atuar em repartição pública (ministério ou tribunal) [diz-se de juiz].                                                             
Ventura: sorte (boa ou má); fortuna, destino, acaso.
Infortúnio: má fortuna; adversidade, desdita, infelicidade.
    acontecimento, fato infeliz que sucede a alguém ou a um grupo de pessoas.
Principais Obras:
  • Cartas Chilenas
  • A jovem Doroteia
  • Marília de Dirceu

Um pouco de história:
Inconfidência Mineira :foi uma tentativa de revolta abortada pelo governo em 1789, em pleno ciclo do ouro. Ocorreu em Minas Gerais(na época, uma capitania). A luta foi um dos mais importantes movimentos sociais brasileiros. Neste  período, era grande a extração de ouro, principalmente na região de Minas Gerais. Os brasileiros que encontravam ouro deviam pagar o quinto, ou seja, vinte por cento de todo ouro encontrado acabava nos cofres portugueses. Aqueles que eram pegos com ouro “ilegal” (sem  ter pagado o imposto”) sofriam duras penas, podendo até ser degredados (enviados a força para o território africano, como Tomás).
Com a grande exploração, o ouro começou a diminuir nas minas. Mesmo assim as autoridades portuguesas não diminuíam as cobranças. Nesta época, Portugal criou a Derrama, seguindo as regras da mesma, cada região de exploração de ouro deveria pagar 1500 kg de ouro por ano para a metrópole. Quando as exigências não eram cumpridas,  soldados da coroa entravam nas casas das famílias para retirarem os pertences até completar o valor devido.
Todas estas atitudes foram provocando uma insatisfação muito grande no povo e, principalmente, nos fazendeiros rurais e donos de minas que queriam pagar menos impostos e ter mais participação na vida política do país. Alguns membros da elite brasileira, influenciados pela idéias de liberdade que vinham do iluminismo europeu, começaram a se reunir para buscar uma solução definitiva para o problema: a conquista da independência do Brasil.
O grupo foi liderado por Tiradentes, e outros participantes eram: os poetas Tomas Antonio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, Inácio de Alvarenga, o padre Rolim, entre outros representantes da elite mineira.

A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas.
Sítios consultados:




















    Postado por: Lara Machado

    6 de novembro de 2016

    Análise 10:Soneto III (Tomás Antônio Gonzaga)



    Análise 10
    Soneto III (Tomás Antônio Gonzaga)
    Soneto III
    Enganei-me, enganei-me - paciência!
    Acreditei às vezes, cri, Ormia,
    Que a tua singeleza igualaria
    A tua mais que angélica aparência.
    Enganei-me, enganei-me - paciência!
    Ao menos conheci que não devia
    Pôr nas mãos de uma externa galhardia
    O prazer, o sossego e a inocência.
    Enganei-me, cruel, com teu semblante,
    E nada me admiro de faltares,
    Que esse teu sexo nunca foi constante.
    Mas tu perdeste mais em me enganares:
    Que tu não acharás um firme amante,
    E eu posso de traidoras ter milhares.
    Tomás Antônio Gonzaga


    Vocabulário
    Galhardia: elegância, garbo.
    Cri: acreditei, confiei, desejei; conjugação do verbo crer.


    Análise
            Neste texto, carregado de emoções, parece que o eu-lírico confessa que enganou-se a respeito de uma moça, Ormia, que é de “angélica aparência”. Ele está triste por ter se decepcionado com sua amada e ter depositado nela sentimentos como prazer, sossego e inocência, citados na segunda estrofe. Contudo, na última estrofe, o eu-lírico diz que a pessoa que mais perdeu, foi ela, pois, agora, não achará alguém que a ame como ele o fez e, agora, ele poderá ter milhares de amantes.
                É um texto que possui um sentimento de tristeza, pelo o que o eu-lírico está passando: decepção, rejeição e sentindo-se enganado e impotente. É perceptível o amor que ele possuía por ela, mas que ela não possuía o mesmo por ele.
                As características do Arcadismo presentes neste texto são, principalmente, as confissões, exposição clara de sentimentos e exaltação da pureza, ingenuidade e beleza. O eu-lírico confessa, do início ao fim do texto, que foi enganado pela sua amada, e, ao decorrer do mesmo, fala sobre seus sentimentos. Mas no final do soneto, ele não se dá por vencer e diz que quem perdeu foi sua amante, que agora não irá achar alguém que a ame como ele a amou.


    Sites consultados




    http://www.soliteratura.com.br/arcadismo/

    Postado por: Ithalo Vitipó

    Análise 9: soneto XII (Tomás Antônio Gonzaga)

    Soneto XII:


    Obrei quanto o discurso me guiava,
    Ouvi aos sábios quando errar temia;
    Aos Bons no gabinete o peito abria,
    Na rua a todos como iguais tratava.

    Julgando os crimes nunca os votos dava
    Mais duro, ou pio do que a Lei pedia;
    Mas devendo salvar ao justo, ria,
    E devendo punir ao réu, chorava.

    Não foram, Vila Rica, os meus projetos
    Meter em férreo cofre cópia d'ouro
    Que farte aos filhos, e que chegue aos netos:

    Outras são as fortunas, que me agouro,
    Ganhei saudades, adquiri afetos,
    Vou fazer destes bens melhor tesouro.
                    
    -  Tomás Antônio Gonzaga
       

    Glossário:

    • Pio: que revela piedade ou caridade; piedoso ou devoto/religioso
    • Obrar: executar,fazer, causar ou produzir

    Análise:

    Antônio parece ser religioso e podemos criar essa imagem do autor graças aos primeiros versos. Temos também a possibilidade dele estar sendo irônico quanto ao comportamento das pessoas de alto escalão, aquelas que ocupam os gabinetes (e assim é até os dias de hoje); por ele ser um jurista, há também a possibilidade de Dirceu (pseudônimo criado pelo poeta) estar fazendo uma crítica a si. Porém, essa ideia é retirada na próxima estrofe, nessa, sentimentos são mostrados nas expressões ‘ria’/‘chorava’, algo incomum de ser visto em juízes (por isso, podemos eliminar a possibilidade da autocrítica).
    O fato de Vila Rica (atual Ouro Preto) ter sido citada, logo nos faz ligar com a acusação feita a Antônio dele ter participado da Inconfidência Mineira, mas isso nada tem a ver e, apenas é uma confissão do autor, ele admite não ter buscado riquezas materiais, foi atrás apenas de afetos e futuras saudades que, no fim, tornaram-se seus maiores tesouros.

    Características do Arcadismo:

    • Tom confessional:Não foram, Vila Rica, os meus projetos”
    • Espontaneidade dos sentimentos: “Ganhei saudades, adquiri afetos”
    • Exaltação da pureza e ingenuidade: “Na rua a todos como iguais tratava”
    • Influência da filosofia francesa:
    O poeta caminha para uma quarta característica “o bom selvagem”, expressão e teoria criadas  pelo filósofo Rousseau que surgiu em 1755 e diz que o homem, por natureza, é bom.
    Rousseau faz  também uma crítica ao uso do homem pelo homem; esse que impõem a servidão, a escravidão, a tirania e inúmeras outras leis que privilegiam as elites dominantes.


    Sítios consultados:

              http://www.citador.pt/poemas/obrei-quanto-o-discurso-me-guiava-tomas-antonio-gonzaga



    Postado por: Lara Machado